segunda-feira, 5 de abril de 2010

Efeito do desmatamento: Animais silvestres famintos procuram a morte nas cidades

Vítimas do desmatamento: com a perda do hábitat, aves como este GUAXE (Cacicus haemorrhous) buscam desesperadamente alimento nos quintais das casas das áreas urbanas, onde são recebidas com pelotaços, pedradas e tiros. Clique sobre a imagem para ampliar

É chocante e muito triste um fenômeno recente nos centros urbanos dos municípios com grandes índices de desmatamento da Mata Atlântica. Devido a perda repentina do hábitat, espécies de aves, muito raras, antes só encontradas em matas bem preservadas, agora são facilmente observadas procurando alimento desesperadamente nas árvores frutíferas dos quintais das casas nas áreas urbanas destes municípios quase totalmente devastados.

Na Páscoa, 04/04/2010, num dia chuvoso e frio em Itaiópolis (SC), observei em um abacateiro no quintal da casa de minha irmã, em plena área urbana, três exemplares de GUAXE (Cacicus haemorrhous) famintos atacando os abacates verdes (veja a foto acima). Itaiópolis é um dos municípios recordistas em desmatamento de Mata Atlântica (Matas de Araucárias) nos últimos 15 anos.

Uma vizinha relatou-me que na casa dela também estão aparecendo aves raríssimas, que nunca tinha visto antes. Lá, o guaxe está atacando até as flores do jardim, principalmente a Lanterna-chinesa (Abutilon striatum).

O guaxe constrói o ninho em forma de um saco usando geralmente como material uma espécie de bromélia (Tillandsia usneoides), conhecida como barba-de-velho, e costuma nidificar em colônias, o que garante maior proteção dos filhotes, conforme mostra a imagem feita na borda da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí , em Itaiópolis (SC).

Nidificação coletiva do GUAXE (Cacicus haemorrhous), em Itaiópolis (SC)

Quando a fauna refugiada do desmatamento procura comida nas cidades recebe a sentença de morte imediata. Não escapa do pelotaço certeiro dos estilingues, das pedradas e dos tiros de espingardas.

Na semana passada, em Guaramirim (SC), um menino deu uma pedrada em uma garça cinzenta enorme, maior do que ele, quebrando uma das asas da pobre criatura. Não pudemos fazer nada, a não ser lamentar profundamente. A garça gravemente ferida, sentindo uma dor terrível e impossibilitada de voar foi solta para esperar a morte nas arrozeiras do entorno da RPPN Santuário Rã-bugio

Nós trabalhamos de forma intensa, gastamos todas nossas energias, para diminuir este massacre dos animais silvestres. Muito pior do que as pedradas e os pelotaços dos garotos é o desmatamento praticado pelos adultos, os ilegais e os autorizados para loteamentos, principalmente.

3 comentários:

Valéria disse...

Realmente Germano, vemos que o trabalho de vocês é intenso e com amor, mas ainda falta educação quero dizer conhecimento as pessoas para que possam mudar os hábitos, pois se nada mudar e as pessoas não se conscientizarem de que só teremos VIDA se tivermos florestas em pé e com toda sua biodiversidade, não teremos o que esperar do futuro.
Já visitei algumas cidades que tem áreas de refugio com florestas, já fiz algumas trilhas nestes locais quase sempre com muitas cachoeiras, das quais é um pedacinho que pouco se dá valor, as pessoas adoram fazer camping nos tais locais (fugir do stress do dia-a-dia), nestes locais não tem ninguém pra trabalhar porque aquela floresta é importante, não tem ninguém pra dizer que se não tiver a floresta aquelas lindas cachoeiras ou corregos secarão. Logo concluo que o trabalho desenvolvido pelo Instituto Rã-bugio deveria estender-se a todos os municípios do Brasil.
Previlegio tem os estudantes do Vale do Itapocu em SC e os de São José dos Campos e Jacareí (SP) onde o Inst. Rã-bugio está formando estudantes conscientes e porque não dizer multiplicadores da causa, pois só é possível preservar aquilo que se conhece, e só conhecemos o que compreendemos!

www.eraldonaz.com disse...

Isso é lamentável Germano... Logo quem, uma criança! essa tem tudo pra se um adulto inconsequente com o meio onde vive...

Amigo, de um destaque pra materia do meu Blog

Esta é a 1ª parte do programa gravado na Unisul TV
(o Fernando gravou o resto e assim que ele publicar em completo a matéria do blog)

No dia 06-04-2010 foi feito um debate para trazer a tona a discussão sobre o polemico empreendimento da Bunge/Yara e agora também a Vale, os pontos contestados foram apresentados por especialista conceituados ...


http://projeto-reciclar.blogspot.com/2010/04/debate-fosfateira-unisultv.html

Carioca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.